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27/05/2020

   Dia Nacional da Mata Atlântica


Nesta quarta-feira é comemorado no Brasil o Dia Nacional da Mata Atlântica, bioma que compreende cerca de 15% do território brasileiro e estende-se por 17 estados da federação, onde vivem mais de 150 milhões de brasileiros, os quais geram cerca de 70% do PIB da nação. Outrora já foi um ambiente de frondosas florestas que recobriam toda a região costeira do Brasil, situando-se da zona climática tropical até o sul do país. Entretanto hoje restam apenas 12,4% dos habitats naturais desta conformação, com diversos estudos apontando para um colapso inevitável do bioma caso as ações antrópicas não sejam repensadas e amortizadas.

A data foi escolhida como alusão ao dia 27 de maio de 1560, data na qual foi assinada a “Carta de São Vicente”. O responsável pela obra foi o Padre José de Anchieta, nativo da Espanha e nascido nas Ilhas Canárias. Desde a sua juventude foi comprometido com o sacerdócio e devido problemas de saúde obteve uma recomendação médica para que “respirasse novos ares”, assim zarpando para o Brasil e aportando na Baía de Todos os Santos em 1553. Desde o início de seus estudos Anchieta demonstrava interesse e facilidade no aprendizado de letras, sendo inclusive o primeiro a estabelecer a gramática das línguas indígenas. Anchieta era dotado de erudição notável no trato dos mais variados temas, assim foi designado para elaborar um documento que retratasse o “mundo novo” e através de um dos mais completos e belos registros da época, nos oferece uma viagem pela Mata Atlântica quando está ainda compunha um maciço florestal de mais de 1.100.000 km², tratando a respeito "das coisas naturais da Capitania de São Vicente".

Neste documento o Padre Anchieta foi capaz de abordar temas desde a fauna e flora, até o rigor dos fenômenos meteorológicos e a vida da população silvícola que ali residia desde muito antes da chegada dos colonizadores. Deste modo eternizou-se ao conceber um gigantesco acervo sobre sua vida e personalidade, bem como a própria mata atlântica e os seus mais diversos aspectos.

Nos dias de hoje a mata atlântica é um bioma que apresenta uma das maiores biodiversidades do planeta, sendo fundamental para processos humanos que vão da agricultura e pecuária, passando pelo abastecimento hídrico, geração de energia e até mesmo turismo e lazer. Também é tido como um bioma singular, que abarca diversos ecossistemas presentes em pouquíssimas regiões do globo, senão estritamente exclusivos. Como é o caso da Floresta Estacional Decidual, que dentre todos os ecossistemas da mata atlântica é o mais ameaçado.

Em Santa Catarina as dez Unidades de Conservação destinam-se a proteção integral deste ecossistema pertencente a mata atlântica, o Parque Estadual Fritz Plaumann sendo uma delas, criado por Decreto Estadual (nº797, de 24 de setembro de 2003) como forma de compensação ambiental pelo empreendimento da UHE Itá, gerido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina – IMA em parceria da ECOPEF.

Este é um santuário de fauna e flora de um dos remanescentes mais calejados pela ação humana. Usualmente é aberto à visitação através de um sistema de trilhas, que permite o público em geral conhecer a riqueza e frondosidade deste ecossistema. Neste contexto o IMA e Ecopef buscam por meio de diferentes ações sensibilizar o público sobre o estado crítico de conservação das nossas florestas, bem como engajá-los na discussão acerca do futuro de nossas riquezas ambientais.



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