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20/06/2020

   Solstício de Inverno


O solstício caracteriza-se por um evento astronômico onde o eixo de inclinação da terra propicia que um de seus hemisférios receba mais insolação que o outro, isso resulta nas transições de inverno e verão. Todos os anos ambos os hemisférios passam por dois solstícios. Enquanto no hemisfério sul ocorre por volta de 21 de junho o solstício de inverno, no hemisfério norte trata-se do solstício de verão, o mesmo é válido para o 21 de dezembro, quando o hemisfério sul entra oficialmente no verão.

Durante o ano de 2020, o evento ocorre neste sábado, dia 20 de Junho, e marca o início oficial do inverno no hemisfério sul.

As consequências deste fenômeno afetam diretamente a vida na terra, como no caso do cotidiano humano, mas também tem seus efeitos pronunciados em sistemas naturais diversos. A Floresta Estacional Decidual é um exemplo desta transição, uma vez que é nomeada por sua característica de perder de cerca de 50% da folhagem de suas árvores mais altas durante o inverno.

Os efeitos ecológicos gerados pelas baixas temperaturas são os mais diversos. Como por exemplo a perda de folhas que é intimamente relacionado à redução no fotoperíodo, irradiação solar e disponibilidade de água. As árvores ainda são passíveis de paralisarem quase totalmente seu metabolismo durante o frio e quando a primavera chega, o crescimento é retomado. Isso acaba por gerar anéis de crescimento no tronco da planta, que guardam em si dados atmosféricos e meteorológicos interessantes.

A fauna também precisa superar adversidades durante o inverno, algumas espécies de aves possuem características migratórias, indo para zonas mais próximas do equador, e algumas até o hemisfério norte, onde elevadas temperaturas propiciam maior oferta de alimento. Aquelas que permanecem encontram restrições alimentares e não nidificam, uma vez que os insetos são menos abundantes e algumas poucas plantas produzem sementes e frutos, como a Araucária e o Jerivá. Répteis como o Teiú escavam tocas e ali hibernam, os baixíssimos níveis metabólicos permitem que ele acabe passando todo o período sem alimentação, consumindo apenas reservas de gordura previamente adquiridas.

O Rio Uruguai é diretamente influenciado pelo reservatório da UHE Itá, cujo reservatório possui cerca de 103 km², este grande corpo de água aumenta a retenção de energia solar e para as áreas a sua volta é perceptível o aumento na umidade relativa e temperatura média do ar, que causa alterações fisiológicas no ecossistema tangente a área. Ainda em ambientes aquáticos a menor incidência luminosa faz com que fitoplancton não se desenvolva como durante os meses mais quentes, por consequência há uma diminuição da oxigenação da água e dos recursos alimentares disponíveis para a ictiofauna.

Os rigores meteorológicos e estado de conservação preocupante nos lembram do quão importante é o remanescente desta conformação florestal preservada no Parque Estadual Fritz Plaumann.



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